Dia 19 de Novembro é o Dia Internacional do Homem e, para comemorar, você já pode reservar meu livro "Ser Homem ou Não Ser? O que é ser homem no início do século XXI", nos sites da Amazon.
Espaço para discussão e divulgação sobre a masculinidade. Conheça os problemas que homens enfrentam com mais frequência e algumas dicas de como enfrenta-los.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
sábado, 4 de novembro de 2017
Quando o homem falha na cama - impotência sexual
O primeiro tema sugerido para esse mês é um problema temido por muitos homens, a disfunção erétil, mais conhecida como impotência sexual. A disfunção erétil consiste em ter dificuldades para ter ou manter uma ereção suficiente para um desempenho sexual satisfatório.
A disfunção erétil torna-se mais comum a medida que o homem envelhece, mas pode ocorrer em qualquer idade e sua causa pode ser cardiovascular, neurológica, hormonal e/ou psicológica. As causas mais comuns tendem a ser Diabetes, Hipertensão, Hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue), obesidade, deficiência de testosterona, ansiedade de desempenho (preocupação relacionada ao ato sexual) e problemas de relacionamento com a parceira.
Muitos medicamentos causam ou agravam a disfunção erétil, principalmente remédios antidepressivos. Se você passou a ter disfunção erétil após começar a tomar algum medicamento, verifique com seu médico se pode ser o medicamento e se é possível trocar-lo. Fumar, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas podem causar disfunção erétil.
Cerca de 10% dos homens que sofrem com disfunção erétil tem diabetes não-diagnosticada e episódios de disfunção erétil tendem a ocorrer de 2 a 5 anos antes de uma doença arterial coronariana se manifestar. Assim, se você tem sofrido com disfunção erétil, é importante consultar um cardiologista e um endocrinologista.
Às vezes, a disfunção erétil pode ser curada pela simples mudança de hábitos, como parar de fumar, fazer exercícios regularmente e, para os obesos, perder peso. Além de hábitos para controle de diabetes, hipertensão e hiperlipidemia. Em homens com menos de 40 anos, é mais provável que a causa da disfunção seja psicológica, embora disfunções eréteis de origem psicológica possam ocorrer em qualquer idade.
Causas psicológicas tendem a incluir a ansiedade de desempenho, tabus religiosos, histórico de abuso sexual, mitos sexuais (ex.: "homem nunca deve recusar sexo"), Transtornos Depressivos, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtornos Ansiosos e ter pensamentos negativos durante a atividade sexual. Todas essas causas podem ser tratadas com psicoterapia de abordagem cognitiva-comportamental, sendo que a terapia em grupo e o envolvimento da parceira no processo terapêutico tem mais efetividade que a terapia individual.
Uma forma de identificar se a disfunção é de origem psicológica ou orgânica é tentando ter uma ereção durante a masturbação. Quando a causa é orgânica, o pênis não fica ereto nem mesmo durante a masturbação, mas tende a ficar quando a causa é psicológica. Contudo, nem sempre esse método acerta e uma avaliação precisa só pode ser realizada por um profissional.
Quando psicoterapia e mudança de hábitos não dão certo, costuma ser necessário recorrer a medicamentos, sendo os mais eficazes os inibidores de fosfodiesterase-5, família do famoso Viagra (não se automedique, consulte um médico para saber se você pode tomá-lo). Estudos sugerem que, independente da causa, a psicoterapia combinada com o uso de medicamentos é mais eficaz que qualquer um dos dois separados.
Quando até mesmo tais medicamentos falham, é necessário recorrer a tratamentos mais invasivos, como injeções intrapenianas, bombas de vácuo e, se isso também falhar, próteses penianas.
Fontes:
Karl & Joel (2016). Erectile Dysfunction.
Brotto e colaboradores (2016). Psychological and interpersonal dimensions of sexual function and dysfunction.
A disfunção erétil torna-se mais comum a medida que o homem envelhece, mas pode ocorrer em qualquer idade e sua causa pode ser cardiovascular, neurológica, hormonal e/ou psicológica. As causas mais comuns tendem a ser Diabetes, Hipertensão, Hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue), obesidade, deficiência de testosterona, ansiedade de desempenho (preocupação relacionada ao ato sexual) e problemas de relacionamento com a parceira.
Muitos medicamentos causam ou agravam a disfunção erétil, principalmente remédios antidepressivos. Se você passou a ter disfunção erétil após começar a tomar algum medicamento, verifique com seu médico se pode ser o medicamento e se é possível trocar-lo. Fumar, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas podem causar disfunção erétil.
Cerca de 10% dos homens que sofrem com disfunção erétil tem diabetes não-diagnosticada e episódios de disfunção erétil tendem a ocorrer de 2 a 5 anos antes de uma doença arterial coronariana se manifestar. Assim, se você tem sofrido com disfunção erétil, é importante consultar um cardiologista e um endocrinologista.
Às vezes, a disfunção erétil pode ser curada pela simples mudança de hábitos, como parar de fumar, fazer exercícios regularmente e, para os obesos, perder peso. Além de hábitos para controle de diabetes, hipertensão e hiperlipidemia. Em homens com menos de 40 anos, é mais provável que a causa da disfunção seja psicológica, embora disfunções eréteis de origem psicológica possam ocorrer em qualquer idade.
Causas psicológicas tendem a incluir a ansiedade de desempenho, tabus religiosos, histórico de abuso sexual, mitos sexuais (ex.: "homem nunca deve recusar sexo"), Transtornos Depressivos, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtornos Ansiosos e ter pensamentos negativos durante a atividade sexual. Todas essas causas podem ser tratadas com psicoterapia de abordagem cognitiva-comportamental, sendo que a terapia em grupo e o envolvimento da parceira no processo terapêutico tem mais efetividade que a terapia individual.
Uma forma de identificar se a disfunção é de origem psicológica ou orgânica é tentando ter uma ereção durante a masturbação. Quando a causa é orgânica, o pênis não fica ereto nem mesmo durante a masturbação, mas tende a ficar quando a causa é psicológica. Contudo, nem sempre esse método acerta e uma avaliação precisa só pode ser realizada por um profissional.
Quando psicoterapia e mudança de hábitos não dão certo, costuma ser necessário recorrer a medicamentos, sendo os mais eficazes os inibidores de fosfodiesterase-5, família do famoso Viagra (não se automedique, consulte um médico para saber se você pode tomá-lo). Estudos sugerem que, independente da causa, a psicoterapia combinada com o uso de medicamentos é mais eficaz que qualquer um dos dois separados.
Quando até mesmo tais medicamentos falham, é necessário recorrer a tratamentos mais invasivos, como injeções intrapenianas, bombas de vácuo e, se isso também falhar, próteses penianas.
Fontes:
Karl & Joel (2016). Erectile Dysfunction.
Brotto e colaboradores (2016). Psychological and interpersonal dimensions of sexual function and dysfunction.
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relações amorosas,
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sábado, 28 de outubro de 2017
Violência contra o homem
Hoje em dia, é aceito por psicólogos(as) que negros e pobres cometem mais crimes por serem "minorias", por serem "socialmente marginalizados", e que o vandalismo ou crimes cometidos por adolescentes sejam um pedido de ajuda, um sintoma geralmente desencadeado por situações de vulnerabilidade. Entretanto, quando consideramos que a maioria dos crimes e atos violentos são cometidos por homens, tendemos a ter duas reações: dizer que isso é esperado, pois homens são mais violentos, ou dizer que isso é resultado da cultura machista, que educa homens para serem dominantes e usam da violência para demonstrar seu poder. (Farrel, 1993/2014)
Você aceitaria se disséssemos que a maioria dos crimes são cometidos por negros, pobres e adolescentes porque isso é apenas uma característica normal desses grupos ou que isso é uma demonstração de seu poder?
Por outro lado, o que acontece quando consideramos o contrário? Quando consideramos que homens são maioria das vítimas de violência (Mapa da Violência, 2015, 2016) e que também sofrem violência na intimidade (ou conjugal ou doméstica, ou como prefira chamar) (Zaleski, Pinsky, Laranjeira, Ramisetty-Mikler & Caetano, 2010). Acho lamentável quando pessoas, algumas vezes "especialistas em violência", dizem que essas situações são menos importantes porque são "homens batendo em outros homens" ou que "esses casos são minoria".
Se alguém te dissesse que uma mulher foi vítima de um crime e o crime não será levado a sério porque o autor do crime é outra mulher, você consideraria isso aceitável? O número de casos de morte de mulheres em episódios de violência doméstica não é nem 10% do número total de homicídios. Você aceitaria se esse fato fosse usado como justificativa para não haver mais estudos sobre violência doméstica, para acabar com todas as delegacias da mulher e ONGs que lutam contra a violência contra a mulher? Se a resposta é não para ambas as perguntas, você também não deve aceitar a violência contra o homem, independente do sexo do perpetrador ou da quantidade de vítimas.
Na verdade, vários autores defendem que a violência doméstica contra o homem é tão comum quanto a violência contra a mulher, mas existe um viés tão forte de pesquisadores e dos meios de divulgação em retratarem a mulher como vítima, que violência doméstica se tornou sinônimo de violência contra a mulher, decorrente de um desejo masculino de oprimir a mulher, quando, na verdade, é causada por problemas na dinâmica do casal, pela dificuldade de se colocar no lugar do outro, de negociar as diferenças, pela incompatibilidade de objetivos e pela ausência de uma cultura de responsabilidade mútua. (Alvim & Souza, 2005; Andrade, 2008; Farrell, 1991; 1993/2014; Oliveira & Souza, 2006; Strauss, 2007; Zaleski et al., 2010).
O único estudo brasileiro que encontrei que quantificou tanto as vezes que homens quanto as vezes que mulheres estiveram envolvidos em casos de violência por parceiro íntimo, tanto no papel de agressor quanto no vítima, foi o de Zaleski et al (2010), que, conforme pode ser observado no quadro abaixo, encontra valores próximos de perpetração e vitimização para os dois sexos.
Prevalência de
violência por parceiros íntimos nos últimos 12 meses. Brasil, 2005-2006
(Zaleski et al., 2010, p. 57)
Variável
|
Masculino n=631
|
Feminino n=814
|
X²(df)
|
||
Qualquer tipo de
violência íntima (incluindo mútua, somente perpetração e somente vitimização)
|
10,7%
|
14,6%
|
4,76(1)*
|
||
Perpetração
|
Vitimização
|
Perpetração
|
Vitimização
|
||
Atos leves
|
|||||
Jogar algo
|
2,2%
|
3,4%
|
6,0%
|
2,7%
|
|
Empurrar, agarrar ou
sacudir
|
7,4%
|
4,1%
|
9,3%
|
6,3%
|
|
Tapa
|
3,2%
|
4,2%
|
6,0%
|
3,9%
|
|
Atos graves
|
|||||
Chutar ou morder
|
0,9%
|
1,4%
|
2,2%
|
1,2%
|
|
Bater com algo
|
1,6%
|
2,9%
|
5,5%
|
2,2%
|
|
Queimar
|
0,0%
|
0,1%
|
0,0%
|
0,1%
|
|
Sexo forçado
|
0,8%
|
0,3%
|
0,6%
|
1,2%
|
|
Ameaçar com faca
|
0,4%
|
1,5%
|
1,2%
|
0,9%
|
|
Usar faca/arma de fogo
|
0,2%
|
0,9%
|
0,2%
|
0,3%
|
|
Tipo de violência
|
|||||
Mútuo
|
5,3%
|
6,3%
|
|||
Somente perpetração
|
3,9%
|
5,7%
|
|||
Somente vitimização
|
1,5%
|
2,6%
|
|||
Sem violência
|
89,3%
|
85,4%
|
|||
* p <0,05.
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Obra citada não disponível online
Farrell,
W. (1991). Por que os homens são como são
(trad. Paulo Froes). Rio de Janeiro: Rosa
dos Tempos.
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homem,
masculinidade,
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relações amorosas,
sexismo,
violência,
violência conjugal,
violência contra o homem,
violência doméstica
sábado, 14 de outubro de 2017
A agressividade é uma característica masculina? - quando o homem também é abusado
A
violência costuma ser vista como uma característica masculina (Farrell,
1993/2014; Moore & Gillette, 1993; Nolasco, 2001), a ponto de ter surgido a
ideia de que “todas as guerras foram criadas por varões”, entretanto, Farrell (1991) diz-nos que homens lutarem nas guerras não os tornam mais culpados pela criação das guerras que o papel feminino em educar os filhos para serem soldados.
Contudo, os estudos sobre violência tendem a ser tratados como assexuados, isso é, como se o gênero não interferisse nada, apesar de homens serem a maioria dos agressores e dos agredidos, às vezes, quase 10x mais que mulheres (Farrell, 1991, 1993/2014; Nolasco, 2001; Mapa da Violência, 2015a, 2015b). O sexo/gênero só costuma ser levado em consideração nos estudos de violência na intimidade e agressão sexual, quase sempre numa dicotomia rígida, em que o homem é o agressor e a mulher a vítima, igualando violência na intimidade e agressão sexual com "violência do homem contra a mulher (Alvim & Souza, 2005; Andrade, 2008; Farrell, 1991, 1993/2014; Oliveira & Souza, 2006; Straus, 2007; Zaleski, Pinsky, Laranjeira, Ramisetty-Mikler & Caetano, 2010).
Ouvindo o relato do Marlon, sobre como ele foi abusado na infância, acredito que já tenha passado da hora em entrarmos nesse assunto: homens também podem ser vítimas de violência na intimidade e abuso sexual. Estudos indicam que a diferença entre vítimas masculinas e femininas nem é tão grande, a diferença é o número de denúncias. Assim, tais tipos de violência não se configurariam como "violências de gênero", causadas pelo desejo masculino de oprimir a mulher, até porque tais diferenças também ocorrem em relacionamentos homossexuais, mas seriam, antes de tudo, dificuldades em negociar diferenças (Alvim & Souza, 2005; Andrade, 2008; Farrell, 1993/2014; Oliveira & Souza, 2006).
Contudo, os estudos sobre violência tendem a ser tratados como assexuados, isso é, como se o gênero não interferisse nada, apesar de homens serem a maioria dos agressores e dos agredidos, às vezes, quase 10x mais que mulheres (Farrell, 1991, 1993/2014; Nolasco, 2001; Mapa da Violência, 2015a, 2015b). O sexo/gênero só costuma ser levado em consideração nos estudos de violência na intimidade e agressão sexual, quase sempre numa dicotomia rígida, em que o homem é o agressor e a mulher a vítima, igualando violência na intimidade e agressão sexual com "violência do homem contra a mulher (Alvim & Souza, 2005; Andrade, 2008; Farrell, 1991, 1993/2014; Oliveira & Souza, 2006; Straus, 2007; Zaleski, Pinsky, Laranjeira, Ramisetty-Mikler & Caetano, 2010).
Ouvindo o relato do Marlon, sobre como ele foi abusado na infância, acredito que já tenha passado da hora em entrarmos nesse assunto: homens também podem ser vítimas de violência na intimidade e abuso sexual. Estudos indicam que a diferença entre vítimas masculinas e femininas nem é tão grande, a diferença é o número de denúncias. Assim, tais tipos de violência não se configurariam como "violências de gênero", causadas pelo desejo masculino de oprimir a mulher, até porque tais diferenças também ocorrem em relacionamentos homossexuais, mas seriam, antes de tudo, dificuldades em negociar diferenças (Alvim & Souza, 2005; Andrade, 2008; Farrell, 1993/2014; Oliveira & Souza, 2006).
Oficialmente, a maioria dos abusadores sexuais de homens são outros homens, o número de mulheres abusadoras pode ser muito maior, dado que muitas pessoas acreditam que ser abusado é o mesmo que ser penetrado a força ou por considerarem que homens têm "sorte" de terem relações heterossexuais tão precocemente.
No estudo de French, Tilghman e Malebranche (2014), com 282 jovens do sexo masculino, estudando no Ensino Médio ou Faculdade, encontrou que 120 deles (43%) sofreram, pelo menos, uma forma de coerção sexual: "pressão verbal" (31% da amostra), "sedução indesejada" (26%), "intercurso completado" (21%), "beijo/carícia" (18%), "força física" (9%), "uso de substâncias" (7%) e "tentativa de intercurso" (3%).
Segundo
a revisão feita por Zimmermann (2012), mulheres abusadoras sexuais tendem a ser
divididas em quatro categorias: 1) abusadoras intergeracionais: o tipo
mais comum, tendem a abusar de crianças, precocemente, sendo mais comum que
comece abusando da própria prole. É comum que esse tipo de mulher vem de uma
filha em que abusos sexuais de crianças são comuns; 2) professora/amante:
costuma ser uma mulher adulta que tem relações sexuais com um adolescente ou
criança pré-púbere. É comum que as pessoas vejam esse tipo de relação como uma
fantasia comum dos garotos e, portanto, inofensiva, uma forma de iniciação
sexual. Entretanto, o interesse da mulher costuma ser mais a exploração de um
desequilíbrio de poder (poder manipular o garoto) do que um interesse
romântico/sexual; 3) mulheres coagidas pelo marido: são mulheres que,
por causa de um companheiro, abusaram ou facilitaram que seu companheiro
abusasse de uma criança. Apesar de terem iniciado o abuso por causa do
companheiro, muitas continuam abusando mesmo sem a presença dele; 4) experimentadora-exploradora:
fazem parte dessa categoria a maioria das adolescentes que abusam sexualmente
de crianças. São garotas que desejam uma relação sexual e, não conseguindo ter
uma experiência com um companheiro de sua idade, buscam essa experiência com
crianças que podem dominar, geralmente um irmão mais novo ou uma criança da
qual é babá.
Do outro lado do espectro, a revisão do mesmo autor identificou cinco tipos de pais abusadores: 1) sexualmente preocupados: têm um interesse sexual obsessivo pela prole, às vezes, desde o nascimento. É comum que tenham sido abusados sexualmente quando crianças; 2) regridem à adolescência: só se interessam pela prole quando ela entra na adolescência; 3) buscam autossatisfação: veem seus descendentes como meros instrumentos para obter autossatisfação; 4) emocionalmente dependentes: usam sua progênie para obterem relacionamentos amorosos que objetivam a proximidade, companhia e amizade; 5) vingativos raivosos: têm raiva do abusado, geralmente, por exigir muita atenção de sua companheira.
Do outro lado do espectro, a revisão do mesmo autor identificou cinco tipos de pais abusadores: 1) sexualmente preocupados: têm um interesse sexual obsessivo pela prole, às vezes, desde o nascimento. É comum que tenham sido abusados sexualmente quando crianças; 2) regridem à adolescência: só se interessam pela prole quando ela entra na adolescência; 3) buscam autossatisfação: veem seus descendentes como meros instrumentos para obter autossatisfação; 4) emocionalmente dependentes: usam sua progênie para obterem relacionamentos amorosos que objetivam a proximidade, companhia e amizade; 5) vingativos raivosos: têm raiva do abusado, geralmente, por exigir muita atenção de sua companheira.
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Obras citadas não disponíveis online:
Farrell,
W. (1991). Por que os homens são como são
(trad. Paulo Froes). Rio de Janeiro: Rosa
dos Tempos.
Farrell, W. (1993/2014). The myth of male power: why men are the
disposable sex. Dr. Warren Farrell, 1993/2014. Edição Ebook Kindle
Moore, R., & Gillette, D. (1993). Rei guerreiro mago amante. (Trad. Talita M. Rodrigues).
Rio de Janeiro: Campus.
Nolasco, S. (2001). De Tarzan a Homer Simpson. Rio de
Janeiro: Rocco.
sábado, 30 de setembro de 2017
Final Fantasy XIV: pai depressivo - uma história de amor masculino
Recentemente, chegou ao Netflix brasileiro, a série Final Fantasy XIV: dad of light (Fantasia Final 14: pai de luz), que conta a história de um garoto japonês (Akio) com dificuldade de se relacionar com seu pai. Um dia, seu pai misteriosamente diz ter pedido demissão e não procurará um novo emprego. Ele simplesmente decidiu se aposentar mais cedo. Numa tentativa de descobrir o motivo da demissão misteriosa e recuperar o vínculo pai-filho, o jovem Akio ensina seu pai a jogar o MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Play Game) Final Fantasy XIV e, secretamente, se torna amigo dele dentro do jogo, agindo como um tutor e comprometendo-se a só revelar a sua verdadeira identidade após derrotar Twintania.
Pode parecer bobagem dizer que você e seu pai quase não conseguem conversar e tentar se aproximar dele através de um jogo online, mas essa é uma história real. Como é de se esperar, parece que há algumas diferenças entre o exibido na série e a história real e, apesar de minha ignorância em japonês e o tradutor online não ajudarem muito em saber a diferença entre realidade e ficção, o projeto hikari no otösan (pai de luz) foi uma tentativa real de aproximação entre pai e filho que durou 10 meses jogando Final Fantasy XIV e divulgada no blog pessoal do filho (até agora, só consegui identificá-lo como "Ichigeki Kakusatsu SS Nikki" ou Mydie) se transformou em livro e na série original do Netflix.
Realidade ou ficção, pretendo ter como foco o personagem Hirotaro Inaba (o pai) e fazer uma análise dele e de como podemos aprender mais sobre a masculinidade. A partir de agora, haverá spoilers. Se você ainda não assistiu e não gosta que te digam o que acontece nas suas séries, filmes e livros, pare agora, vá assistir e depois volte.
O sr. Inaba tem o perfil geralmente chamado de "pai tradicional", muito ocupado com o trabalho, quase não passa tempo com a família, emocionalmente frio e distante. Aqueles que acreditam que seus pais não foram "pais carinhosos" certamente devem achar o próprio pai e o Sr. Inaba muito parecidos. O foco no trabalho e distância emocional, com o tempo, tornaram o sr. Inaba e o próprio filho em dois estranhos, de forma que eles não conseguem nem ter uma conversa superficial.
Akio sente a necessidade de entender melhor seu pai, mas não consegue uma conversa franca. Então, após ser aconselhado pelos seus amigos de FF14, compra um PlayStation 4, o jogo FF14 e ensina o básico a seu pai. Após isso, corre para o próprio quarto e tenta tornar-se amigo do próprio pai, sem que ele descubra sua real identidade.
Akio e Hirotaro (Maidy e Indy) conseguem se conectar e, por ser menos vergonhoso (e mais fácil) falar de suas fraquezas para um estranho que para aqueles que amamos, Akio descobre que seu pai pediu demissão por estar doente, uma doença que pode matá-lo se não operar e mesmo a operação não é garantia de sobreviver. Com essa notícia, o Sr. Inaba não conseguia mais ter um objetivo de vida, nada para ele fazia mais sentido. Ao que me parece, ele estava com Depressão.
Mas através do jogo, ele encontrou pessoas que pareciam se importar com ele, que o ajudavam e que precisavam de ajuda. Juntos, eles enfrentavam desafios, ficavam mais fortes, compartilhavam a alegria da vitória, consolavam-se na derrota e discutiam estratégias. Isso é importante se considerarmos as qualidades masculinas, das quais destaco: orientação para grupos, empatia de ação e formação de vínculos através de atividades e objetivos comuns.
O desenrolar da história me leva a crer que Akio conseguiu curar a Depressão de seu pai, o que não significa que jogos online curam depressão, mas através do jogo, ele conseguiu estabelecer um relacionamento verdadeiro com seu pai, dando-lhe um novo sentido para a vida e restaurando sua vontade de viver.
Mas eu gostaria de chamar a atenção para os sintomas do sr. Inaba que, a primeira vista, não existem. Quando se fala em Depressão, costumamos pensar nos casos extremos, aquelas pessoas que não conseguem sair da cama, que choram por qualquer coisa, casos reais, mas raros. Muitos sofrem de uma Depressão mais silenciosa, uma distimia talvez, como a do sr. Inaba. Parece que a pessoa apenas não quer falar, é apenas seu jeito de ser, é apenas uma fase, e, às vezes, é realmente apenas isso, às vezes, é algo mais. Se Akio não tivesse feito seu pai jogar FF14 e se tornado seu amigo virtual, talvez, o sr. Inaba nunca teria feito a cirurgia e teria morrido, deixando um filho magoado por nunca ter entendido seu pai.
Pode parecer bobagem dizer que você e seu pai quase não conseguem conversar e tentar se aproximar dele através de um jogo online, mas essa é uma história real. Como é de se esperar, parece que há algumas diferenças entre o exibido na série e a história real e, apesar de minha ignorância em japonês e o tradutor online não ajudarem muito em saber a diferença entre realidade e ficção, o projeto hikari no otösan (pai de luz) foi uma tentativa real de aproximação entre pai e filho que durou 10 meses jogando Final Fantasy XIV e divulgada no blog pessoal do filho (até agora, só consegui identificá-lo como "Ichigeki Kakusatsu SS Nikki" ou Mydie) se transformou em livro e na série original do Netflix.
Realidade ou ficção, pretendo ter como foco o personagem Hirotaro Inaba (o pai) e fazer uma análise dele e de como podemos aprender mais sobre a masculinidade. A partir de agora, haverá spoilers. Se você ainda não assistiu e não gosta que te digam o que acontece nas suas séries, filmes e livros, pare agora, vá assistir e depois volte.
O sr. Inaba tem o perfil geralmente chamado de "pai tradicional", muito ocupado com o trabalho, quase não passa tempo com a família, emocionalmente frio e distante. Aqueles que acreditam que seus pais não foram "pais carinhosos" certamente devem achar o próprio pai e o Sr. Inaba muito parecidos. O foco no trabalho e distância emocional, com o tempo, tornaram o sr. Inaba e o próprio filho em dois estranhos, de forma que eles não conseguem nem ter uma conversa superficial.
Akio sente a necessidade de entender melhor seu pai, mas não consegue uma conversa franca. Então, após ser aconselhado pelos seus amigos de FF14, compra um PlayStation 4, o jogo FF14 e ensina o básico a seu pai. Após isso, corre para o próprio quarto e tenta tornar-se amigo do próprio pai, sem que ele descubra sua real identidade.
Akio e Hirotaro (Maidy e Indy) conseguem se conectar e, por ser menos vergonhoso (e mais fácil) falar de suas fraquezas para um estranho que para aqueles que amamos, Akio descobre que seu pai pediu demissão por estar doente, uma doença que pode matá-lo se não operar e mesmo a operação não é garantia de sobreviver. Com essa notícia, o Sr. Inaba não conseguia mais ter um objetivo de vida, nada para ele fazia mais sentido. Ao que me parece, ele estava com Depressão.
Mas através do jogo, ele encontrou pessoas que pareciam se importar com ele, que o ajudavam e que precisavam de ajuda. Juntos, eles enfrentavam desafios, ficavam mais fortes, compartilhavam a alegria da vitória, consolavam-se na derrota e discutiam estratégias. Isso é importante se considerarmos as qualidades masculinas, das quais destaco: orientação para grupos, empatia de ação e formação de vínculos através de atividades e objetivos comuns.
O desenrolar da história me leva a crer que Akio conseguiu curar a Depressão de seu pai, o que não significa que jogos online curam depressão, mas através do jogo, ele conseguiu estabelecer um relacionamento verdadeiro com seu pai, dando-lhe um novo sentido para a vida e restaurando sua vontade de viver.
Mas eu gostaria de chamar a atenção para os sintomas do sr. Inaba que, a primeira vista, não existem. Quando se fala em Depressão, costumamos pensar nos casos extremos, aquelas pessoas que não conseguem sair da cama, que choram por qualquer coisa, casos reais, mas raros. Muitos sofrem de uma Depressão mais silenciosa, uma distimia talvez, como a do sr. Inaba. Parece que a pessoa apenas não quer falar, é apenas seu jeito de ser, é apenas uma fase, e, às vezes, é realmente apenas isso, às vezes, é algo mais. Se Akio não tivesse feito seu pai jogar FF14 e se tornado seu amigo virtual, talvez, o sr. Inaba nunca teria feito a cirurgia e teria morrido, deixando um filho magoado por nunca ter entendido seu pai.
sábado, 16 de setembro de 2017
Trabalho e suicídio - quanto vale a vida do homem?
O trabalho é tão importante para os homens que o desemprego e a aposentadoria aumentam as chances de homens se suicidarem, mas não têm o mesmo efeito em mulheres.
Isso porque, em praticamente todo o mundo, ser um produtor é condição indispensável para que o homem seja digno de ser respeitado e amado. Ser um "homem de verdade" é, geralmente, associado com a capacidade de sustentar a si mesmo, à sua família e, se possível for, por que não o bairro ou uma instituição. No Japão, por exemplo, a vida de um homem é considerada inútil e desonrada se não estiver a serviço dos outros.
Para eles, uma vez que é impossível vivermos sozinhos, pelo menos nos primeiros anos de vida, todos temos uma dívida com a sociedade, dívida que só pode ser paga ao morrer protegendo, sustentando e cuidando dos outros. Não é a toa que as cartas e documentos deixados pelos pilotos kamikaze demonstram um tom de orgulho e alegria em serem escolhidos para se suicidarem em combate. Porque assim, sua dívida estaria paga.
Tal mentalidade é tão forte que, mesmo nesses tempos de "equidade", educamos as mulheres para trabalharem e serem independentes, poderem comprar suas roupas, maquiagens e afins sem terem de pedir dinheiro para o marido, mas ainda dizemos aos nossos filhos que eles devem procurar um "bom emprego" (o que geralmente significa um emprego que pague muito) para constituir uma família.
Assim, para o homem, o desemprego nunca é um simples contratempo econômico ou problemas financeiros, mas ao não ter emprego, o homem também costuma perder a sua própria identidade de homem, algo que, psicologicamente, pode explicar o aumento de casos de disfunção erétil (impotência sexual) em homens desempregados.
Isso porque, em praticamente todo o mundo, ser um produtor é condição indispensável para que o homem seja digno de ser respeitado e amado. Ser um "homem de verdade" é, geralmente, associado com a capacidade de sustentar a si mesmo, à sua família e, se possível for, por que não o bairro ou uma instituição. No Japão, por exemplo, a vida de um homem é considerada inútil e desonrada se não estiver a serviço dos outros.
Para eles, uma vez que é impossível vivermos sozinhos, pelo menos nos primeiros anos de vida, todos temos uma dívida com a sociedade, dívida que só pode ser paga ao morrer protegendo, sustentando e cuidando dos outros. Não é a toa que as cartas e documentos deixados pelos pilotos kamikaze demonstram um tom de orgulho e alegria em serem escolhidos para se suicidarem em combate. Porque assim, sua dívida estaria paga.
Tal mentalidade é tão forte que, mesmo nesses tempos de "equidade", educamos as mulheres para trabalharem e serem independentes, poderem comprar suas roupas, maquiagens e afins sem terem de pedir dinheiro para o marido, mas ainda dizemos aos nossos filhos que eles devem procurar um "bom emprego" (o que geralmente significa um emprego que pague muito) para constituir uma família.
Assim, para o homem, o desemprego nunca é um simples contratempo econômico ou problemas financeiros, mas ao não ter emprego, o homem também costuma perder a sua própria identidade de homem, algo que, psicologicamente, pode explicar o aumento de casos de disfunção erétil (impotência sexual) em homens desempregados.
BAUMEISTER, R. F. Is there anything good about men?: How
culture flourished by exploiting men. New York: Oxford University Press, 2010.
Cap. 9-10, p. 187-220.
FARRELL, W. Por
que os homens são como são (tradução de Paulo Froes). Rio de Janeiro: Rosa
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GILMORE, D. D. Action and
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http://ajp.psychiatryonline.org/doi/full/10.1176/appi.ajp.160.4.765>.
Acessado em 10 de setembro de 2017.
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sábado, 2 de setembro de 2017
Suicídio - Quando a morte parece a melhor saída
Setembro é o mês da prevenção do suicídio, pratica que muitos homens chegam a pensar e/ou a realizar. Sendo assim, a primeira matéria desse mês será sobre o suicídio.
O suicídio consiste em uma pessoa tirar a própria vida conscientemente e é considerado um problema de saúde pública não só para aquele que o praticou como para amigos e familiares, que são abalados pelo evento. No mundo todo, o suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte (Schlösser, Rosa, & More, 2014), sendo a oitava nos EUA (Farrell, 1993/2014) e, no Brasil, é a terceira maior causa por fatores externos (Machado & Santos, 2015)
No Brasil, o número de suicídios consumados (que resultaram em morte efetiva) é baixo para os padrões internacionais, apenas 6,3 mortes por 100 mil habitantes (OMS, 2017), sendo classificado como o 71º país com maior número de suicídios no mundo (Schlösser, Rosa, & More, 2014). Contudo, acredita-se que os valores possam ser muito maiores em decorrência de sub-notificação (Marín-León & Barros, 2003). Outro fenômeno observado mundialmente é que homens suicidam-se com 3 a 7,5 vezes mais frequência que mulheres, sendo Índia e China as duas únicas exceções. No Brasil, a proporção é de 3,7 homens para cada mulher. (Machado & Santos, 2015)
Tal diferença deve-se, em parte, a homens usarem métodos com maiores chances de sucesso (ou seja, de efetivamente morrerem, sem chance de serem salvos), sendo o enforcamento e o uso de armas de fogo, os métodos preferidos pelos homens (Marín-León & Barros, 2003; Minayo, Meneghel & Cavalcante, 2012). O suicídio geralmente ocorre em casa (51,9%) ou em hospitais (39,3%) (Marín-León & Barros, 2003).
Existem inúmeros fatores que podem levar um homem a cometer suicídio, mas as associações mais frequentes são desemprego; uso de álcool ou drogas; presença de um transtorno psiquiátrico, como Depressão; dívidas financeiras; problemas em relacionamentos familiares ou amorosos; sentimento permanente de humilhação; sentimento de impotência e dependência; e, principalmente, sentimento de ser um fardo para os outros. (Marín-León & Barros, 2003; Minayo, Meneghel & Cavalcante, 2012).
Pessoas que pensam em se matar devem ser supervisionadas a todo instante e devem procurar ajuda profissional. Um primeiro passo pode ser entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida, que fica disponível 24h/dia por telefone (ligue 141), e-mail, chat e Skype.
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Obra citada não disponível on-line
Farrell, W. (1993/2014). The Myth of Male Power: why men are the disposable sex (Ebook ed.). Autor.
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