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sábado, 25 de novembro de 2017

Planejamento familiar e vasectomia

Há mais de um mês e meio, eu pedi sugestões de temas para esse mês e, para a minha surpresa, não encontrei NENHUM texto científico sobre a experiência masculina no planejamento familiar. No máximo, qual a opinião de profissionais de saúde sobre o papel masculino no planejamento familiar. Assim, para escrever esse artigo, eu tive de me basear nos relatos daqueles que aceitaram dividir comigo suas experiências. (Os quais, eu agradeço muito).

Assim como ocorre com as mulheres, todo homem (ou quase todos) têm uma ideia de como deseja ser a sua família. O perfil da mulher com quem se casará, quantos filhos terá ou, até mesmo, não casar e não ter filhos. Entretanto, homens não têm o hábito de conversarem sobre esses assuntos, assim como é comum que não lhes perguntemos. Assim, o planejamento familiar para o homem, a nível individual, costuma ser semelhante a um segredo (apesar de ele não fazer questão de esconder), enquanto que a nível social, é de total exclusão/esquecimento.

Existem inúmeros métodos contraceptivos para as mulheres, mas para os homens, há apenas 4: vasectomia, camisinha, abstinência sexual e interrupção do coito. Sendo a vasectomia o mais confiável método de controle de fertilidade. Quando falamos em vasectomia, é importante lembrarmos que ela é definitiva e, a medida que o número de divórcios e recasamentos aumenta, aumenta também o número de homens que se arrependem de ter feito a vasectomia.

Homens que pretendem fazer vasectomia tendem a se preocupar em como será a vida sexual após a cirurgia, fantasiando possíveis problemas de ereção e ejaculação. Embora seja possível que o homem sinta dor por um tempo, aparentemente, a vasectomia não apresenta efeitos negativos no desempenho sexual do homem.

Fontes:

Homens que aceitaram compartilhar comigo suas experiências

Engl, T.; Hallmen, S.; Beecken, W.-D.; Rubenwolf, P.; Gerharz, E.-W.; Vallo, S. (2017). Impact of vasectomy on the sexual satisfaction of couples: experience from a specialized clinic. Central Europen Journal of Urology, 70(3), 275-279.

sábado, 11 de novembro de 2017

A pornografia na vida dos homens - quando se torna vício?

Outro tema sugerido foi o vício em pornografia. Confesso que esse tema foi um dos mais difíceis que encontrei, pois há quem defenda que esse é um problema real e sério, enquanto outros dizem que tais afirmações não passam de julgamentos morais provenientes de estudos enviesados.

Enquanto uns alegam que estímulos sexuais visuais ativam as mesmas áreas e mecanismos do cérebro (sistema de recompensa) que estímulos reais e apresentam as mesmas características que a dependência química de drogas, outros defendem que o sistema de recompensa age da mesma forma com qualquer coisa que gostemos e as principais características da dependência, necessidade de exposição cada vez maior e síndrome de abstinência, não aparecem em nenhum desses estudos, podendo os efeitos negativos observados terem uma causa comum com o alto consumo de material pornográfico, como a solidão.

Aqueles que defendem que não existe - ou, pelo menos, que não há indícios de que exista - ressaltam que assistir pornografia tem efeitos positivos, como atitudes mais positivas com a sexualidade, melhora da qualidade de vida, aumento do prazer em relacionamentos estáveis e diminuição de ataques sexuais.

Quem defende que o vício em pornografia é um problema real alega que quem tem dificuldade em se controlar no consumo de material pornográfico tem mais relações sexuais sem proteção, com mais parceiros desconhecidos, é mais propenso a ter disfunção erétil e a ter mais dificuldade em manter um relacionamento estável.

Uma vez que os estudos são inconsistentes, a regra a ser seguida é agir com moderação.